Por que as mulheres usam véus de capela – e deve usar também?
A Tradição Começa
O uso do véu, ou mantilha, é uma tradição que tem o seu início na Igreja primitiva. Na sua primeira carta aos Coríntios, São Paulo fala da importância do véu para a mulher:
“Ora, todo homem que ora ou profetiza com a cabeça coberta desonra a sua cabeça; mas toda mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta desonra a sua cabeça, porque é como se estivesse rapada. Se a mulher não se cobre, que também se corte o cabelo; mas, se é vergonhoso para a mulher ter o cabelo cortado ou rapado, que se cubra. Julgai vós mesmos: é próprio que a mulher ore a Deus sem se cobrir a cabeça? A própria natureza não vos ensina que é uma desonra para o homem ter cabelo comprido, mas que para a mulher o cabelo comprido é uma glória? Porque o cabelo lhe foi dado em lugar de véu.” (1 Coríntios 11:4-16)
Um Símbolo de Respeito
Os escritos de Tertuliano e de São Paulo explicam o significado do costume – que as mulheres, e mais especificamente as virgens, devem ser conhecidas só por Deus. Além disso, o véu era visto como um símbolo de castidade e humildade:
“E, claro, deveria ter sido escolhido aquilo que mantém as virgens veladas, por serem conhecidas só de Deus... Porque esse costume que desmente as virgens enquanto as mostra, nunca teria sido aprovado por ninguém, exceto por alguns homens que deveriam ter um carácter semelhante ao das próprias virgens. Esses olhos desejarão que uma virgem seja vista como a virgem que desejar ser vista. Os mesmos tipos de olhos desejam reciprocamente uns aos outros. Ver e ser visto pertencem à mesma concupiscência. Corar ao ver uma virgem é tanto sinal de um homem casto, como de uma virgem castamente vista por um homem.” (Tertuliano, Sobre o Véu das Virgens, Cap. 2).
Um Símbolo de Modéstia
O uso do véu era costume na cultura judaica, sendo sinal de modéstia numa época em que a sociedade estava consciente e até receosa da sexualidade e dos seus perigos.
Ao longo da cultura cristã primitiva, o véu voltou a ser visto como símbolo de modéstia. Além disso, era costume rapar a cabeça de uma mulher como castigo por infidelidade – o equivalente ao que os puritanos fizeram ao obrigar uma adúltera a usar a letra escarlate ‘A’ costurada na sua roupa durante o século XVII. Por isso São Paulo compara a mulher sem véu à mulher rapada, pois isso era sinal de desonra, impropriedade e desrespeito. Como São Paulo aponta mais adiante na mesma carta aos Coríntios, o cabelo para a mulher era um sinal físico da beleza feminina e ser-lhe tirado era ir contra a natureza – portanto uma desonra para a feminilidade.
Ao longo da sua carta aos Coríntios, São Paulo destaca a importância das diferenças entre os géneros e o papel que cada um desempenha no plano de Deus – desviar-se disso seria antinatural, vergonhoso e pecaminoso. Claro que não se deve focar demasiado na opinião de São Paulo sobre o cabelo das mulheres – como se cortar o cabelo fosse um pecado grave. Ao mesmo tempo, seria injusto para o Apóstolo ignorar o seu ponto principal sobre a importância das diferenças entre os géneros e a observância da lei natural – o cabelo e o véu são um exemplo que enfatiza essas diferenças.
O Significado do Véu
Assim, cobrir a cabeça provinha tanto do costume cultural como da tradição cristã primitiva. Foi mantido como tradição católica pelas mesmas razões. Contudo, o significado do véu mudou desde a tradição cultural de onde teve origem.
Ao contrário do que algumas outras religiões ou culturas possam professar, a tradição católica moderna do uso do véu não significa a submissão das mulheres aos homens. Nem tem a ver com vergonha ou culpa. Antes, o véu tem sido usado para cobrir algo sagrado – aquilo que o véu cobre deve ser estimado, respeitado e adorado. Tomemos, por exemplo, o uso do véu para cobrir o Santo dos Santos ou a Arca da Aliança no judaísmo. Para os católicos, um véu cobre o Tabernáculo que alberga o nosso Senhor. De igual modo, o altar, onde se oferece o sacrifício perfeito do Nosso Senhor, é velado. O cálice, que contém o sangue do nosso Senhor, também é velado. Se velamos o próprio Centro da nossa Fé, como pode então um véu na cabeça de uma mulher ser menos digno?
Hoje, o uso do véu é considerado um acto visível de modéstia e humildade. O véu não é usado por culpa, nem como acto de submissão, nem por vergonha da beleza feminina, mas sim como sinal de reverência e entrega à vontade de Deus.
A Noiva e a Igreja
“Vós, maridos, amai as vossas mulheres, como também Cristo amou a Igreja e se entregou por ela.” (Efésios 5:25)
“. . . Já chegou a hora da festa das bodas do Cordeiro. A sua noiva já se preparou . . .” (Apocalipse 19:7-8)
Todos conhecemos as passagens das Escrituras que se referem a Cristo como o Noivo e à Igreja como Sua Noiva. Os maridos devem amar as suas mulheres do mesmo modo que Cristo ama a Igreja, e as mulheres devem sujeitar-se aos seus maridos como a Igreja se sujeita a Cristo.
O véu é este lembrete visível da submissão. Claro que hoje, se ouvirmos as palavras mulheres e submissão na mesma frase, muitas pessoas automaticamente expressam uma reprovação feminista. Contudo, o véu como símbolo não deve ser um símbolo de submissão aos homens, mas sim ao amor de Cristo. É um lembrete da obediência a Cristo e um símbolo de humildade perante Deus. O uso da mantilha não quer dizer que as mulheres não são dignas de Cristo por serem mulheres. Antes, usar a mantilha é apenas mais um lembrete físico e visível da indignidade de toda a humanidade comparada a Cristo.
Homens ao longo da história reconheceram a sua indignidade – São João Baptista (João 1:27), por exemplo. Também São Pedro, nosso primeiro papa e líder da Igreja, viu-se indigno de ser morto como Cristo, e por isso pediu para ser crucificado de cabeça para baixo.
E até a maior mulher de todas, a nossa Bem-Aventurada Mãe, reconheceu o seu papel de submissão e obediência (Lucas 1:38).
Um Chamado, Não um Mandato
Com certeza, a mantilha não é e nunca deve ser um mandato. Isso faria um grande mal à tradição, transformando o significado sagrado do véu numa regra simplesmente a cumprir. Tal como outros sacramentais, como o escapulário, o véu é um chamado. Usar um véu não deve ser uma declaração de moda, nem um acto de piedade presunçosa. Usar a mantilha é uma forma de mostrar devoção à virtude – piedade, humildade, modéstia e obediência.
Mas na sociedade atual, usar um véu tornou-se também contra-cultural. É uma forma de ser fortificado. Não significa que alguém seja inferior ou superior a outro, pois as pessoas vivem vidas virtuosas de formas diferentes. O véu é um sinal exterior do coração. É o desejo de tornar visível a tua obediência à vontade de Deus.
Todos somos chamados a viver a nossa fé católica de forma visível, e o véu é apenas uma forma para as mulheres mostrarem devoção a Cristo.




